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31.8.06
Blog Day
A idéia é indicar cinco novos blogs, de outros países ou áreas de interesse. Sendo assim :
Gávea
(porque tem dicas de livros, críticas e entrevistas bacanas)
A Feminista
(porque a Mary W é inteligente e divertida)
Meio-bossa-nova
(porque ela mudou de casa, e agora tem o fino da bossa)
Lili e Luisa
(porque elas me falaram do Blog Day e eu precisava retribuir a gentileza)
Chacalog
(porque a vida precisa de poesia, sempre !)
Fefê
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29.8.06
"A pizza do vizinho é mais verde"...
A Meg falou do brigadeiro do Café do Museu. Pronto, mexeu com uma gulosa. Agora não sossego enquanto não provar da guloseima. É assim a vida dos que têm o olho maior que a barriga. Sou capaz de lembrar o sabor do bacalhau que comi na casa da minha amiga de faculdade, há uma década. Ou roubar os biscoitinhos da mesa do café antes de entrar na fila do self-service. De visitar minha irmã sempre ao final da tarde porque a mesa de lanche da casa dela é uma coisa maravilhosa...O cenário piora muito quando se descobre dois quilos mais esbelta. Apesar que "gordo quando vê balança generosa desconfia", fazer o quê ?, correr pro restaurante, não é mesmo ? E pro Divino, estabelecimento que faz jus ao nome. Mas aí é que a gula ganha contornos inimagináveis. Aquele aroma maravilhoso vindo da cozinha, aquele cardápio variado, aquela gerente te falando da nova especialidade da casa, tudo conspira a favor do seu apetite...Mas já que "a pizza do vizinho é sempre mais verde", não custa dar uma espiada nos pratos das adjacências pra sacar o que de mais apetitoso está rolando. Ou pegar carona na explicação que o garçon está dando ali do lado, que o risoto assim combina com o peixe assado...Jantar escolhido, sempre bate uma vontade incontrolável de dar uma experimentadinha no prato do amore. "Frango indiano ? Como é que não pensei nisso antes ? Tá com uma cara ótima o seu". E... nhac....Acontece que um dia a pizza vai pro brejo, como na casa do R., meu cunhado dileto. Todo mundo reunido pra escolher a indefectível pizza de domingo à noite e ele fiel ao frango e catupiry. Toda semana era a mesma coisa, a turma toda questionando, "vamos variar, aliche, calabresa"... E ele lá, firme no seu propósito. Quando a pizza chegava, aliche jogada às baratas e frango com catupiry nem sombra...Eis que aquilo foi irritando o moço que é pra lá de espevitado. Ele foi arquitetando uma vingança que, aliás, é o único bom prato que se come frio. Mais um domingo à noite e o de praxe, chega o entregador com metade frango e catupiry e metade aliche, conforme insistência da maioria. Daí que todo mundo quer experimentar um pedacinho da pizza de frango, "só pra não perder o costume". Cansado do golpe da família, R. radicaliza e dá a cartada final - uma boa cusparada na pizza inteira...Eu não gosto de nada tão radical, mas também fecho cem por cento com frango e catupiry. E não me venha com rúcula !
Fefê
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18.8.06
Papel e só
Uma palestra de um veterano do Jornalismo e muitas histórias bacanas. Mas pra meu ouvido só uma pequena frase bastou. "Não dá pra correr atrás do papel picado que cai pela janela..."
Fefê
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1.8.06
Leite derramado
Eu planejei amamentar meu filhote pelo menos durante os seis meses indicados, mas não passei de dois. Com esse "currículo" pensei estar excluída da blogagem coletiva sugerida pela Denise, a propósito da Semana Mundial da Amamentação. Mas por que não ? Uma boa hora para digerir o assunto que, passados quase quatro anos, ainda é custoso pra mim e também alentar outras mães que viveram ou vivem situação parecida. Que esse relato não se transforme em desânimo pra quem tem um bebê em fase de amamentação. São comprovados e amplamente divulgados os benefícios do leite materno. O que os estudos sobre amamentação quase não abordam e o que a gente pouco discute é o que fazer quando algum componente, especial o emocional, dificulta o processo. Por que não falar das pedras do caminho ? A minha história foi assim apesar de, como a maioria das mães, ter sonhado com boas jornadas de amamentação e ter feito todo o preparado da mama, seguindo as orientações da minha médica. Como tive uma gestação absolutamente tranqüila, acreditei que ia tirar de letra o leitinho do Henrique. No entanto, o processo não foi nada fácil. E o duro foi que não me entendi com a amamentação justamente pelo excesso de leite. Não conseguia equacionar a minha oferta com a demanda do Henrique. Os peitos inchavam e ficavam como pedra. Eu era quase um laticínio ambulante. Tive uma superprodução que me levou pro hospital mais de uma vez. Longas horas tirando o leite com máquina. Quanto mais buscava esse caminho e mais ansiosa ficava em solucionar o problema, mais o processo de produção se acelerava. O que pude perceber é que as enfermeiras não sabiam muito como me orientar, talvez estivessem mais preparadas para socorrer mães com escassez e não com excesso de leite. Os mais próximos faziam o possível pra me alentar, desde compressas pra reduzir a produção, salsa e mel pra cicatrizar os bicos machucados, sutiãs dos mais variados modelos para acomodar os peitões, até cafunés para acalmar uma mãe totalmente desorientada. No meio desse turbilhão e por indicação da minha obstetra cheguei a Leite Meu, uma clínica aqui de Belo Horizonte com enfermeiras muito bacanas e bem preparadas. Uma delas foi tão amável que quase pedi colo pra mim e não pro Henrique. Apesar do carinho e de finalmente ter encontrado amparo profissional, toda a situação já tinha embolado com um processo depressivo. Quadro esse que se agravou muito diante da minha decisão de parar de amamentar. Me sentia diminuída com o fato de não ter dado conta de algo que parece tão natural a tantas mães. Apesar do desalento, consegui doar minha produção extra pro banco de leite de um dos hospitais da cidade, com direito a diploma de honra ao mérito e tudo mais. Está carinhosamente guardado como uma prova de que consegui um movimento de solidariedade no meio de muita dor. Minha família também foi fundamental, me apoiou e me ajudou a entender que melhor que insistir com a amamentação seria cuidar do meu estado emocional. Antes cuidar da cuca que chorar o leite derramado. Aos poucos, me ergui. Talvez hoje, com mais maturidade e equilíbrio emocional, pudesse amamentar sem maiores problemas. E até consigo entender que as pedras que tomaram conta do meu peito diziam muito sobre as pedras do meu próprio caminho. De um tempo tortuoso que vivia. Foi uma experiência muito diferente do que eu gostaria. Foi penoso e fracassado, mas foi o possível. E tem que ter peito, até pra falar disso.
Veja quem mais falou de amamentação, aqui.
Fefê
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